domingo, agosto 7

Sunflower



Sinto borboletas de novo e tenho suspirado mais do que nunca. Quando o celular vibra já sinto o coração bater muito mais forte na esperança de ser você. E sorrio, sempre que é. Será de novo amor? As cores respondem que sim. Todas as manhãs e por todos os lados.
Os verdes me fazem lembrar dos planos que temos juntas.
Os amarelos, de todos os sorrisos que já lhe provoquei.
Os azuis, das minhas lágrimas que sua voz secou.
Os vermelhos e alaranjados, das inúmeras noites e tardes e manhãs que fechei meus olhos e imaginei você bem perto de mim. Tocando minha pele, me beijando, olhando dentro dos meus olhos.
Os roxos, dos crepúsculos aos quais assisti pensando em ti.
Os rosas, das declarações que fizemos uma à outra.
Os brancos, da paz que você me traz sempre.
E por fim, os cinzas... Ah! Os cinzas me trazem lembranças de cada detalhe seu. A forma como seus lábios se curvam quando você sorri e aquela covinha deliciosa é revelada. O branco da sua pele contrastado aos tons escuros do cômodo mal iluminado. O jeito como você pisca e como coloca naturalmente um suave "i" na frente do "r" ao pronunciá-lo. A maciez absoluta da sua voz adentrando meus ouvidos e percorrendo minhas veias. O modo como mexe nos cabelos com aquele jeito meio tímido e meio sensual, completamente enlouquecedor. Sua expressão quando eu lhe provoco... E todas as coisas que fazem de você essa garota incrível que consegue parar e acelerar meu coração sendo simplesmente quem é.
E posso dizer que eu quero mais disso, sempre mais, para sempre mais. Quero girassóis e xícaras de café na mesa pela manhã. Quero um cobertor e muitos nasceres de sol. Quero pães com manteiga, sorrisos e primaveras. Quero cores. Quero crepúsculos. Quero acordar do seu lado e ter a certeza de que você é minha. Quero bilhetes escritos no espelho embaçado do banheiro, quero abraços que não terminam. Quero você, e só você. Para mim. Comigo. Todos os dias da minha vida.

sexta-feira, abril 29

Um grito no escuro


Sabe, eu não entendo bem o que é isso que estou sentindo agora, eu só sinto a dor. A dor da partida e do futuro incerto. Você fez tudo errado de novo, Giovanna. Como sempre, já era de se esperar. Eu só não entendo porque você não pode compreender um pouco e ver o quanto eu tento ser boa pra você, o quanto eu tento ser certa. E eu não sei mais de nada, estou perdida, não sei mais o que você sente.
Eu só sei que queria você aqui agora pra me abraçar.

Eu sinto frio, eu sinto saudade...

quarta-feira, abril 27

Início de algo novo


Um mês atrás eu conheci você, em meio a músicas pops e camisas xadrezes. Você, tão bela e frágil, mesmo sem demonstrar. Mas eu vejo o seu interior, vejo o que você esconde. E só sei que algo dentro de mim mudou naquele dia, nada mais foi o mesmo. Você tomou posse sem pedir dos meus pensamentos e não sai mais da minha cabeça. Eu gosto de você, muito, mais do que consigo compreender.
Como uma roseira que floresce com o tempo, minha vontade de estar perto de você cresce cada vez mais, a cada sorriso, a cada beijo, a cada toque. E com ela também cresce esse sentimento gostoso dentro de mim. Você sabe o que é. Essa sensação de borboletas no estômago e os suspiros inacabáveis.
E agora eu sei que sem você minha vida se torna só mais uma árvore oca no meio da imensa floresta da solidão. E eu não quero voltar pra lá. Quero você comigo sempre, me nutrindo desse jeito que só você sabe. Com cada gesto pequeno e cada palavra.
Eu quero a doçura dos seus lábios na minha bochecha enquanto sinto-me segura envolvida pelos seus braços. Quero amar você como eu amo a forma dos seus ohos se fecharem quando você sorri. Quero amar cada pequeno detalhe dessa garota que me deixa sempre feliz. E eu sei que eu vou, logo, pois é impossível não amar alguém tão especial.

"Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território protegido por muros de receio.
Quem quiser vir agora terá de ter paciência, terá de ter sabedoria.

Mas ainda que não tenha nada disso, virá, e vai nos invadir, e vai nos desarrumar, e vamos renascer com esse desconserto.

Pois estávamos fora da realidade, fora do mundo, fora de nós.
A aventura do amor nos devolve a nós mesmos."


Lya Luft

segunda-feira, abril 25

Sumiço


Um suspiro. Provavelmente o quinquagésimo e alguns do dia, já que não para com essa irritância de suspiros a todo instante. No escuro apenas uma luz no meio da bagunça organizada do quarto pequeno. O celular e seus olhos virados para ele, num ato involuntário de esperar algum sinal de que sua amada esteja pensando nela. Na cabeça e nos lábios feridos a mesma canção cantarolada baixinho de novo, de novo e de novo.
Seu corpo se arrepia e ela se lembra da última noite em que estiveram juntas, ali, deitadas e felizes. Parecia haver séculos e cada segundo a mais de espera era tomado pela agonia da saudade boba de paixão. A luz se apaga automaticamente e ela não reascende dessa vez. Leva seu olhar para o brilho de prata da lua cheia que entra pela janela e o canto se torna mais nítido, com palavras agora.
Levanta-se e recosta o corpo frágil na parede próxima a janela, fecha seus olhos e continua a cantar, sentindo a brisa quente da madrugada lavar sua face úmida pelas lágrias que agora escorrem, sem parar, de seus olhos inocentes.
Ao reabrir os olhos vê o reflexo de seu amor no vidro da janela e suspira novamente, imaginando-a a sorrir para ela. Ergue o celular para discar o número já decorado, levando o aparelho rapidamente à orelha. O toque é interrompido e ela sabe que há alguém na linha.
- Alô? - Mas antes que haja qualquer resposta, apenas diz. - Eu sinto a sua falta.