quinta-feira, março 17

Sábado, 20


Quem diria que um simples desabafo anônimo fosse desencadear em todo esse amor? E o mais incrível, tão rápido assim? Como já disse Caio F. Abreu, "Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim [...]". Você fez isso comigo, meu doce.
Só que a paixão pareceu se consumir ainda mais rápido do que surgiu e temo estar ao fim. Pode ser apenas impressão, ou essa maldita insegurança, mas você não me passa mais a sensação de que me ama como antes. E isso me destrói.
Fazem quase exatamente quatro meses desde que lhe disse aquelas coisas. E aproximadamente dez meses desde que tudo realmente começou, pelo menos pra mim. Quando conheci a garota que, mais tarde, se tornou uma das coisas mais importantes pra mim.
Consegue me ouvir cantar aos sussurros músicas de amor pela madrugada? Consegue me sentir? Consegue captar a intensidade desse amor e a forma como ele me invade e preenche todos os minutos de todas as horas desse tempo? Consegue sentí-lo em si? Eu gosto de imaginar que sim, quando as amoras estão roxas e minha canção preferida toca no rádio. Me agrada pensar que você pensa em mim todas as noites quando deita sua cabeça no travesseiro macio, que suspira quando ouve a nossa música e que sorri ao ler as coisas que eu escrevo. Eu gosto de imaginar você sussurrando palavras bonitas nos meus ouvidos enquanto ando sozinha por aí e quando tomo café pela manhã.
Esse não é um desabafo triste ou apelativo. É apenas a minha forma de mostrar como eu amo você e sempre quero amar. Muitos e muitos meses mais.
Minha pequena Flor de Lótus.

segunda-feira, março 14

Viúva Negra


"You know I will obey, so please, don’t make me beg. [...] It feels so good." - Green Day

You know I make you wanna scream... Essas eram as palavras em sua mente naquela entorpecida manhã de Segunda-feira.
Acordou se contorcendo ainda antes do crepúsculo matinal. Sentiu a leve pressão interna em seu abdômen.
- Ainda? - Gemeu preguiçosamente, enquanto colocava a mão direita por cima da calcinha, entre as pernas, para checar se era mesmo o que ela pensava. Sim.
Que diabos está acontecendo comigo, droga? Fechou novamente os olhos e se lembrou do início de tudo isso. Apenas dois dias antes. No começo, inocentes gravações de voz, ou melhor, será que eram inocentes? Não da parte dela, certamente. Tudo fazia parte de um pequeno jogo de sedução no qual as duas participantes ganhariam ao final. Mas começou a ficar perigoso e agora as palavras faladas dançavam pela mente da confusa garota, criando cenas obscenas e umedecendo lugares inapropriados em momentos inadequados.
Ela sabia que já era tarde demais. Mas achava interessante a forma como o fogo havia voltado com tudo depois de tanto tempo se sentindo fria. As frases indecentes e desejos verbalizados já haviam conseguido que a outra tivesse o controle completo de sua mente. E agora seu corpo queria sentir toda aquela intensidade. Queria sentir o prazer que ela sempre rejeitou por trás da sua espessa máscara de auto-controle. Queria se sentir dominada, abusada, seduzida... Queria sentir que também conseguia seduzir.
E naquele momento ela só conseguia desejar mais e mais daquele veneno. O veneno que quando foi injetado nas entranhas dos seus sentidos, fez com que ela quisesse cada vez mais até que os gritos cessassem levando com eles quase toda a vida, na qual, em seus últimos momentos, ela só desejaria mais um pouquinho de prazer perecível pra se satisfazer completamente.