
Um suspiro. Provavelmente o quinquagésimo e alguns do dia, já que não para com essa irritância de suspiros a todo instante. No escuro apenas uma luz no meio da bagunça organizada do quarto pequeno. O celular e seus olhos virados para ele, num ato involuntário de esperar algum sinal de que sua amada esteja pensando nela. Na cabeça e nos lábios feridos a mesma canção cantarolada baixinho de novo, de novo e de novo.
Seu corpo se arrepia e ela se lembra da última noite em que estiveram juntas, ali, deitadas e felizes. Parecia haver séculos e cada segundo a mais de espera era tomado pela agonia da saudade boba de paixão. A luz se apaga automaticamente e ela não reascende dessa vez. Leva seu olhar para o brilho de prata da lua cheia que entra pela janela e o canto se torna mais nítido, com palavras agora.
Levanta-se e recosta o corpo frágil na parede próxima a janela, fecha seus olhos e continua a cantar, sentindo a brisa quente da madrugada lavar sua face úmida pelas lágrias que agora escorrem, sem parar, de seus olhos inocentes.
Ao reabrir os olhos vê o reflexo de seu amor no vidro da janela e suspira novamente, imaginando-a a sorrir para ela. Ergue o celular para discar o número já decorado, levando o aparelho rapidamente à orelha. O toque é interrompido e ela sabe que há alguém na linha.
- Alô? - Mas antes que haja qualquer resposta, apenas diz. - Eu sinto a sua falta.
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