terça-feira, fevereiro 1

Assassina saudade


Não há beleza em nada sem você por perto. Não há sorrisos nem esperança. Não vejo o sol.
Essa maldita ausência dilacera minha carne, numa dor aguda e rasgante. "Onde você está?". Estou pingando. Sangue e suor. O cheiro do desespero me nausea. "Virá me salvar?", sussurro entre os lábios pálidos e trêmulos. Lágrimas. Escorrem sem parar e queimam as feridas abertas. "Eu amo você, por favor, está doendo muito...". Silêncio. "Por onde anda?". A lembrança de sua voz dizendo timidamente que me ama e rindo a seguir ecoa em minha mente perturbada. Distante. Mas aquela inconfundível risada me conforta por um momento. "Ela me ama", penso e sorrio enquanto o sangue seca por meu corpo e o cheiro férreo do mesmo alcança minhas narinas vindo da poça ao meu redor.
E eu continuo vivendo cada instante nessa angustiante espera, esperando que as saudades não me matem. Mas eu sou forte, posso esperar para sempre.