
Quem diria que um simples desabafo anônimo fosse desencadear em todo esse amor? E o mais incrível, tão rápido assim? Como já disse Caio F. Abreu, "Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim [...]". Você fez isso comigo, meu doce.
Só que a paixão pareceu se consumir ainda mais rápido do que surgiu e temo estar ao fim. Pode ser apenas impressão, ou essa maldita insegurança, mas você não me passa mais a sensação de que me ama como antes. E isso me destrói.
Fazem quase exatamente quatro meses desde que lhe disse aquelas coisas. E aproximadamente dez meses desde que tudo realmente começou, pelo menos pra mim. Quando conheci a garota que, mais tarde, se tornou uma das coisas mais importantes pra mim.
Consegue me ouvir cantar aos sussurros músicas de amor pela madrugada? Consegue me sentir? Consegue captar a intensidade desse amor e a forma como ele me invade e preenche todos os minutos de todas as horas desse tempo? Consegue sentí-lo em si? Eu gosto de imaginar que sim, quando as amoras estão roxas e minha canção preferida toca no rádio. Me agrada pensar que você pensa em mim todas as noites quando deita sua cabeça no travesseiro macio, que suspira quando ouve a nossa música e que sorri ao ler as coisas que eu escrevo. Eu gosto de imaginar você sussurrando palavras bonitas nos meus ouvidos enquanto ando sozinha por aí e quando tomo café pela manhã.
Esse não é um desabafo triste ou apelativo. É apenas a minha forma de mostrar como eu amo você e sempre quero amar. Muitos e muitos meses mais.
Minha pequena Flor de Lótus.



